terça-feira, 31 de março de 2009

Amor ao próximo?!

Por algum tempo pensei que essa coisa de amor ao próximo do cristianismo não servia pra mim. Como eu iria amar aquele sujeito que considero repulsivo? Quando o assunto descambava para os inimigos declarados aí é que a coisa se complicava mais ainda. Não conseguia compreender como sentiria o mesmo que sinto pelos meus familiares e amigos por aqueles que em meu íntimo eu nem sequer nutria simpatia.

Era aí que residia o meu engano. Jesus se referia ao "amor caridade" quando falava do amor ao próximo. Esse amor é expresso não por sentimentos, mas por ações. Está intimamente ligado a um estilo de vida e não às nossas reviravoltas emocionais. O amor ao próximo ocorre quando faço algo por alguém a despeito dos meus sentimentos e preconceitos. Eu não faço porque amo, mas amo porque faço. Como bem disse John Stott, "O amor cristão não é vítima de nossas emoções, mas servo de nossa vontade".

Como os nossos cães

Ah, se agíssemos com Deus como nossos cães agem conosco.

Um dia desses quando chegava em casa, meu cão me recebeu com pequenos uivos - como quem pede algo - e com saltos espalhafatosos. Ele não havia ido na rua fazer suas necessidades e nem tampouco havia se alimentado. Notei que após ter pedido a seu modo, ele se deitou calmamente no chão, como quem simplesmente confiava que seria satisfeito.

O que nos diferencia dos seres irracionais é, obviamente, a nossa capacidade de raciocinio. Ela pode funcionar para o bem e para o mau. É através dele que compreendemos o caráter de Deus e é por meio dele que muitas vezes nos rebelamos contra Ele por nos julgarmos auto-suficientes ou por diversos outros motivos "racionais".

O cão não entende. Sua única opção é aceitar suas condições e ser submisso. Se ele conseguisse raciocinar, poderia julgar o fato de eu olhar os bilhetes na geladeira antes de levá-lo na rua como algum tipo de má vontade e se rebelar contra mim. Mas a única coisa que eu acredito que ele percebe em seu limitado instinto animal é que até então eu nunca permiti que ele passasse fome e que uma hora ou outra eu acabaria satisfazendo suas necessidades. Isso era tudo que ele precisava para deitar-se no canto da sala calmamente e descansar.